quinta-feira, 11 de abril de 2013

Era uma vez o sonho da reforma política
 O  comentário que segue é do jornalista Josias de Souza, em seu prestigiado blog, que vê cair a última pá de areia na cova da defunta reforma política brasileira:
“O que alguns deputados chamavam de reforma política era apenas uma proposta-defunta. Embora morta, falavam dela como se continuasse cheia de vida. Na noite passada (terça-feira, 9), deu-se o previsível. Foram batidos no caixão da morta-viva os últimos pregos. O epitáfio? “Fui sem jamais ter sido.”
Sem consenso, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), decidira votar a pseudorreforma na base do vai ou racha. Rachou. Tentou-se salvar ao menos a unha do dedo mínimo do defunto – uma emenda que previa a unificação das eleições. Em vez de ir às urnas a cada dois anos, o eleitor elegeria todo mundo – do vereador ao presidente – de uma tacada, a cada quatro anos.
Coisa para 2022.
Imaginou-se que, aprovada a unha, o resto viria com o tempo. Pois nem isso passou. O PPS decidiu obstruir a votação. Obteve a adesão instantânea de outras dez legendas.
Lacrado o esquife, a reforma política sobrevive apenas como lenda. Tornou-se uma espécie de mula sem cabeça cavalgada por um jóquei. Enquanto a mula vagueia, o Tribunal Superior Eleitoral legisla.”
Pois bem…
O comentário de Josias, com fina ironia, porém certeiro, fecha a cortina de um espetáculo mal produzido pela classe política, porém que serviu para alegrar por algum tempo os brasileiros que ainda – por pura inocência – acreditam em papai noel, mula sem cabeça, cuca, entre outros personagens do imaginário infantil.
Neste canto de página, por inúmeras vezes, comentamos que a reforma política não sairia do papel, embora fosse, como de fato é, urgente e necessária. Por motivo de fácil entendimento: nossos legisladores não mudariam regras que não fossem para beneficiá-los, e como a reforma exigiria o “sacrifício” deles, as mudanças não aconteceriam.
O próprio Henrique Alves, num momento “supersincero”, em 2012, afirmou que não acreditava em mudanças profundas na legislação político-eleitoral porque os partidos e políticos não fariam alterações em pontos de interesses de cada um.
E é exatamente isso.
Portanto, nada de sonhar. Porém, não faz mal apostar no pulso firme do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a cada eleição cria novas regras, assumindo o papel que deveria ser desempenhado pelo Congresso Nacional. Regras importantes, reconheça-se, que têm, aos poucos, moralizado a atuação de partidos, políticos e candidatos em campanhas eleitorais.

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