O comentário que segue é do jornalista Josias de Souza, em seu
prestigiado blog, que vê cair a última pá de areia na cova da defunta
reforma política brasileira:
“O que alguns deputados chamavam de reforma política era apenas uma
proposta-defunta. Embora morta, falavam dela como se continuasse cheia
de vida. Na noite passada (terça-feira, 9), deu-se o previsível. Foram
batidos no caixão da morta-viva os últimos pregos. O epitáfio? “Fui sem
jamais ter sido.”
Sem consenso, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), decidira votar a pseudorreforma na base do vai ou racha.
Rachou. Tentou-se salvar ao menos a unha do dedo mínimo do defunto – uma
emenda que previa a unificação das eleições. Em vez de ir às urnas a
cada dois anos, o eleitor elegeria todo mundo – do vereador ao
presidente – de uma tacada, a cada quatro anos.
Coisa para 2022.
Imaginou-se que, aprovada a unha, o resto viria com o tempo. Pois nem
isso passou. O PPS decidiu obstruir a votação. Obteve a adesão
instantânea de outras dez legendas.
Lacrado o esquife, a reforma política sobrevive apenas como lenda.
Tornou-se uma espécie de mula sem cabeça cavalgada por um jóquei.
Enquanto a mula vagueia, o Tribunal Superior Eleitoral legisla.”
Pois bem…
O comentário de Josias, com fina ironia, porém certeiro, fecha a
cortina de um espetáculo mal produzido pela classe política, porém que
serviu para alegrar por algum tempo os brasileiros que ainda – por pura
inocência – acreditam em papai noel, mula sem cabeça, cuca, entre outros
personagens do imaginário infantil.
Neste canto de página, por inúmeras vezes, comentamos que a reforma
política não sairia do papel, embora fosse, como de fato é, urgente e
necessária. Por motivo de fácil entendimento: nossos legisladores não
mudariam regras que não fossem para beneficiá-los, e como a reforma
exigiria o “sacrifício” deles, as mudanças não aconteceriam.
O próprio Henrique Alves, num momento “supersincero”, em 2012,
afirmou que não acreditava em mudanças profundas na legislação
político-eleitoral porque os partidos e políticos não fariam alterações
em pontos de interesses de cada um.
E é exatamente isso.
Portanto, nada de sonhar. Porém, não faz mal apostar no pulso firme
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a cada eleição cria novas
regras, assumindo o papel que deveria ser desempenhado pelo Congresso
Nacional. Regras importantes, reconheça-se, que têm, aos poucos,
moralizado a atuação de partidos, políticos e candidatos em campanhas
eleitorais.

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