VINTE
CENTAVOS
Protestar é um direito em regimes
democráticos. É uma arma legítima que o povo tem para manifestar sua
insatisfação diante daquilo que é julgado abusivo ou contra os interesses de
uma coletividade.
Temos
visto nos últimos dias, com ar de perplexidade, a violência dos protestos de
milhares de pessoas em passeatas realizadas nas ruas e avenidas centrais e
vitais da cidade de São Paulo, nas quais o objetivo é reclamar do aumento de R$
0,20 nas passagens de ônibus da capital paulista. E essas manifestações estão
se espalhando por outras capitais, a exemplo do Rio de Janeiro, marcadas,
igualmente, por atos de vandalismo e baderna generalizada.
Não
entro no mérito do aumento no preço das passagens. Não estou habilitado a dizer
se R$ 0,20 é um aumento justo ou injusto. Mas não posso concordar com o
comportamento da multidão em tais manifestações. Protestar é direito
indiscutível, democrático; praticar vandalismo e baderna, jamais. Impedir o
direito de ir e vir de pessoas que se deslocam para suas casas não é
democrático. Quebrar vidraças, lixeiras, apedrejar ônibus (que servem aos
próprios manifestantes), pichar muros e prédios, públicos ou privados, também
não.
Muitos
desses manifestantes foram detidos portando barras de ferro, gasolina, facas, soco
inglês, pedras e outros artefatos perigosos, numa demonstração clara de suas
segundas intenções. Depois vão se queixar da repressão policial, que se faz
presente naquele cenário, que mais parece um campo de batalha, para proteger o
patrimônio público e a integridade
física dos que estão fora das manifestações e apenas querem ter o direito de
transitar livremente pelas ruas em direção ao trabalho ou a suas casas.
São
rebeldes sem causa, que se aproveitam da liberdade democrática como pretexto para perturbar a ordem pública, são radicais de
militância política, extravasando sua ira e descontentes porque
não estão no poder. Parece coisa orquestrada para desestabilizar o poder
público. Se a causa de tudo é um aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus,
qual a razão de pichações do tipo “jovem comunista, revolução!”? Há algo
de podre por trás de tudo isso.
A
pergunta que se faz é: por que esse povo não reclama do aumento no preço do
pãozinho, do cigarro, do tomate, da cervejinha, das baladas, da gasolina, do
preço dos ingressos para os jogos da Copa, da impunidade dos condenados no
processo do mensalão, da corrupção que campeia no meio político, das invasões e
destruições realizadas pelo MST? Por que não fazem manifestações contra a morte
de uma dentista, queimada vida em S.Paulo, por causa de R$ 30,00?!! Por que não
fazem manifestações contra a PEC 37, contra a erotização de nossas crianças em
cartilhas distribuídas em algumas escolas, ou contra a tentativa de
distribuição de kits gay? Por que não se manifestam contra os estratosféricos
gastos na construção e reformas do estádios de futebol, alguns candidatos a
elefantes brancos, a exemplo do de Brasília, que, segundo se informa, custou
algo em torno de DOIS BILHÕES DE REAIS? Enquanto isso, faltam hospitais,
escolas, estradas, saneamento básico, transporte público, segurança, e outros
bens primários. Por que não reclamam e fazem manifestações contra a falta de
providências para reconstruir as casas destruídas pelos deslizamentos de terra
e pelas chuvas em Petrópolis, Teresópolis, etc, enquanto o povo espera,
desalojado, há mais de dois anos? A quem interessa esse status quo?
Vinte
centavos. Nunca a paz pública foi perturbada por tão pouco.
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